Vereador Ciro Quintino é eleito presidente da Câmara de Gaspar

Está definido: o próximo presidente da Câmara de Vereadores de Gaspar é o vereador Ciro André Quintino (MDB). Ele recebeu 7 votos em sessão extraordinária realizada às 18h30 de terça-feira, dia 18 de dezembro, no plenário da Câmara de Gaspar.

Além do presidente, os vereadores saíram da sessão conhecendo todos membros da Mesa Diretora de 2019. Dionísio Bertoldi será o vice-presidente; Silvio Cleffi o primeiro secretário; e Wilson Lenfers o segundo secretário. Eles tomam posse automaticamente no dia 1º de janeiro do próximo ano.

Votos

A votação que definiu a nova Mesa Diretora aconteceu de forma secreta. Só seriam desconsiderados se estivessem com cédula não rubricada pelo presidente, com sinais de identificação do votante, com indicação de mais de um nome para o mesmo cargo ou com rasura. Após todos os vereadores depositarem seus votos em uma urna, a contabilização foi fiscalizada pelos vereadores Rui Deschamps, representando a bancada do PT; Francisco Hostins Junior, representando o MDB, PSDB e PSC; e Cícero Amaro, pelo PSD.

A disputa pela presidência foi acirrada. Enquanto 7 vereadores votaram em Ciro Quintino (MDB), Roberto Procópio (PDT) recebeu 6 votos. Para Procópio, este foi mais um momento de democracia em Gaspar. “Acabamos de promover mais um ato democrático. A nova mesa diretora deve ser autônoma, independente e harmônica. Quando me coloquei à disposição, era para seguir à risca esses preceitos. Continuamos vereadores até 31 de dezembro de 2020 e vamos cumprir nosso papel de representar bem e continuar dialogando com a comunidade”, disse.

Novo presidente

Esta é a segunda vez que o vereador Ciro Quintino assume a presidência da Câmara de Gaspar nessa legislatura. Em seu primeiro discurso como presidente eleito, ele falou do orgulho de assumir mais uma vez a casa de leis gasparense. “Vou repetir uma frase que o deputado Aldo Schneider [in memória] sempre falou: ‘a medida que você dá uma palavra e não cumpre, você perde a confiança e a credibilidade. Não existe algo mais relevante do que receber como recompensa um muito obrigado’. Agradeço a todos os vereadores que confiaram em mim mais uma vez. Vou trabalhar por todos os vereadores. Independente de ser situação ou oposição, primeiro somos Gaspar. E é na cidade que temos que pensar. Hoje, pertenço ao partido da grande e bela Gaspar”.

Presidente que está saindo

O vereador Silvio Cleffi, responsável pela presidência da Câmara durante 2018, deixa o cargo agradecendo o apoio de todos os servidores da casa durante o ano. “Tivemos uma série de dificuldades, mas sempre trabalhamos em conjunto em prol de Gaspar. Este ano, tivemos uma economia de R$920 mil, fruto de um esforço conjunto de todos que nos auxiliaram em 2018”.

Opinião

Confira o comentário de Herculano Domício, da coluna Olhando a Maré, sobre a eleição da nova mesa diretora da Câmara de Gaspar:

“Casa da traição ou da independência?

A eleição do vereador Ciro André Quintino, MDB, para presidir a Câmara de Gaspar no ano que vem, não foi exatamente uma surpresa. Ela estava no radar. E o Executivo sabia disso. Ciro não vai criar dificuldades para o Paço Municipal apesar dele ter sido eleito numa aliança com os seis votos da oposição e no discurso da vitória, ter afirmado citando o seu ex-padrinho, o falecido deputado Aldo Schneider, MDB, que ao político não é permitido quebrar a palavra empenhada. Hum!

O que ficou claro nesta eleição desta terça-feira à noite? A reafirmação de independência do Legislativo diante do Executivo. Ele tentou interferir na Câmara de todas as formas nestes dois últimos anos, bem como na eleição da mesa diretora. Tentou fazer dela o seu puxadinho, como salientaram os vencedores em seus discursos. Na primeira gestão de Ciro, Kleber Edson Wan Dall, MDB e o prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, com a oposição desarticulada e em minoria, eles fizeram barba, cabelo e bigode, mas que custou caro no passo seguinte.

Espaçosos e arrogantes os donos do poder de plantão no Paço, até inventaram uma candidata, a mais jovem eleita até hoje no município, sem experiência política alguma, que não foi atrás de votos para ser presidente, que tinha apenas como mote de ser a primeira mulher presidente, e cujo partido nem faz até hoje parte da aliança vencedora, Franciele Daiane Back, PSDB. Foi um vexame e diante da claque do poder que foi lá com o próprio prefeito para aplaudi-la e a viu lamuriar.

Como me escreveu o proprietário e o editor do portal e do jornal Cruzeiro do Vale, Gilberto Schmitt, há pouco e ainda no plenário da Câmara: “ano passado foi uma mulher traída; neste, um homem”, referindo-se ao perdedor, o até então oposicionista ferrenho, Roberto Procópio de Souza, PDT. Penso um pouco diferente. O resultado desta eleição – como a do ano passado que elegeu Silvio – foi a reafirmação da independência do Legislativo, bem como da má articulação política em que está metido o governo Kleber.

Franciele se vestiu antes da hora e terceirizou a cabala de votos. Roberto Procópio trocou de lado antes da hora, traiu o seu grupo, quebrou a palavra empenhada e recebeu, consequente e naturalmente, o recado do seu próprio grupo que ele estimulou e usou, vejam só, em proveito próprio, para se aproximar e levar vantagens com Kleber. Simples assim. Tudo sob o testemunho do chefe de gabinete de Kleber, Pedro Inácio Bornhausen, e do presidente do MDB gasparense, Walter Morelo que foram a sessão onde sabiam que o desfecho poderia ser o que acabou se definindo.

Roberto Procópio já “trabalhava” como futuro presidente e não como o líder que foi do grupo que “montou” e recebeu apoio incondicional para encurralar Kleber e o doutor Pereira. Viraram amiguinhos. As discussões na Câmara começaram a pender para o Executivo. Todos aprendizes, inclusive Roberto Procópio que não percebeu estar preso ao seu próprio alçapão que armou. O poder cega e leva ao erro. E levou!

Quando se montou a chapa para a presidência com Silvio no ano passado, o próprio Roberto era uma opção de sucessão no grupo opositor. Estava com a faca e o queijo na mão. Perdeu os dois. A oposição marcou território, se levará, é outra coisa. Penso que a maioria a favor do governo ainda está mantida.

A vice-presidência para o ano que vem fica com Dionísio Luiz Bertoldi, PT, sete votos; a primeira secretaria com Silvio Cleffi, PSC, sete votos e a segunda, Wilson Luiz Lenefers, PSD, com a surpreendente boa unanimidade de 13 votos. Para o ano que vem, Kleber e os seus terão que olhar o passado e não repetir pela terceira vez o mesmo erro. O candidato vestido é o mais longevo dos vereadores José Hilário Melato, PP. Como ele, pelo menos nessa seara, sabe-se que o buraco é mais embaixo.

Se Ciro – o filho de um barbeiro e uma tricoteira que faleceu recentemente – será um bom e autônomo presidente da Câmara de Gaspar? Não sei! Fica para uma outra análise. Mas a votação secreta deste ano e do ano passado mostraram que ao político é preciso cumprir a palavra empenhada e dialogar. Porque no escurinho da urna, trair e coçar, é só começar. Acorda, Gaspar!”

 

Fonte: Cruzeiro do Vale

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