Santa Catarina corre contra o tempo para atingir metas da vacinação

Santa Catarina tem cinco dias para alcançar a meta da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza. A 21ª edição da mobilização acaba na sexta-feira, 31 de maio, mas 19,89% do público-alvo ainda não foi vacinado. Por isso, autoridades de saúde estão preocupadas com o desempenho e temem que, pela primeira vez, o Estado não atinja o percentual de 90% estipulado pelo Ministério da Saúde.

Embora ainda sejam uma parcial, este é um dos piores desempenhos já registrado no Estado, segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive/SC). Arieli Fialho, é chefe da divisão de imunização e comenta que, até o momento, o percentual de cobertura está em 70,11% da meta – abaixo do esperado pela Dive se tratando de uma reta final de ação.

Comparado com os últimos anos, já deveríamos estar com mais de 80% do grupo de risco vacinado. Se não conseguirmos reverter o quadro esta pode ser a primeira vez que não atingimos a meta de 90% do Ministério da Saúde – afirma Arieli

A coordenadora comenta também que isto é resultado de uma combinação de fatores. As temperaturas elevadas para esta época do ano, atendimento dos Postos de Saúde apenas em horário comercial e uma falsa sensação de segurança causada pelos poucos casos de complicação da doença. A vacina é gratuita.

Procura variada entre os grupos prioritários

Os números variam consideravelmente entre os grupos prioritários. Os idosos, lideram o comparecimento no posto de saúde:86,66% dessa população está protegida. As mães com até 45 dias após o parto têm o segundo melhor índice de imunização, com 81,18%, seguido dos povos indígenas, com 79,96%

Estes dados são rapidamente percebidos nas filas das Unidades Básicas de Saúde. Na UBS do bairro Trindade, em Florianópolis, o técnico em enfermagem responsável por aplicar as vacinas João Roberto Tiburcio (30), contabiliza de 200 a 300 doses por dia, a maioria delas feita em mulheres acima dos sessenta.

Elisabete Hilda Lacerda é uma delas, com 69 anos, é parte do grupo de risco não só pela idade, mas também por ser diabética.

Antes de começar a fazer a vacina eu ficava de cama pelo menos uma vez a cada inverno por causa de resfriados, o meu marido a mesma coisa. Agora não, se eu pego uma ou duas gripes é muito. Mesmo assim é fraca – comenta Elisabete.

A professora aposentada Márcia Guimarães Ribeiro (65) reforça o relato. Conta que quando lecionava chegou a pagar pela imunização durante dez anos até a categoria ser incluída na lista prioritária do SUS.

Já tive reação, mas nada comparado a uma gripe. Sinto no máximo uma dor mais intensa no braço e tenho coriza. Fico gripada uma vez por ano e olhe lá. Quem diz que a vacina não funciona está enganado, eu mesmo sempre tento convencer os outros da importância dela – relata Márcia.

Na contramão desses relatos vêm os profissionais da segurança, como policiais e bombeiros. Eles tem o percentual mais baixo de imunização: 30,48%. Para a Dive/SC a falta de informação pode ser uma das culpadas pela adesão insuficiente. Esta é a primeira vez que estes trabalhadores são incluídos na lista do SUS. A população privada de liberdade também está longe da meta, apenas 46,14% deste público recebeu a dose.

A vacina contra a gripe está disponível em todas Unidades Básicas de Saúde do Estado. Além da imunização, a DIVE/SC reforça que durante o inverno é importante lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool, e não compartilhar itens de uso pessoal, como copos e talheres.

Cobertura Vacinal Gripe

  • – Crianças (6 meses a menores de 6 anos): 65,24%
  • – Gestantes: 62,14%
  • – Trabalhadores da saúde: 59,53%
  • – Mães até 45 dias após o parto:81,18%
  • – Povos indígenas: 79,96%
  • – Idosos com 60 anos ou mais de idade: 86,88%
  • – Professores: 75,15%
  • – Portadores doenças crônicas e condições especiais: 57,87%
  • – População privada de liberdade: 46,14%
  • – Funcionários do sistema prisional: 44,74%
  • – Profissionais das forças de segurança e salvamento: 30,48
  • Cobertura total: 70,11%
  • Fonte: Dive/SC

 

Fonte: NSC | Por Camila Levien | Foto: Tiago Ghizoni

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