Pesquisa aponta que 88% dos blumenauenses aprovam a qualidade de vida na cidade

A atendente no café te cumprimenta pelo nome. Você caminha algumas quadras e encontra um conhecido mesmo que esteja em um bairro que não costuma passar com assiduidade. Tem seu grupo de amigos e mantém uma frequência de visitas a estabelecimentos que gosta. Esses são hábitos interioranos que permanecem vivos em uma cidade média como Blumenau e fazem dela um espaço acolhedor e até íntimo para quem vive por aqui. Características nem sempre vistas como positivas por todos, mas que representam uma boa explicação para a satisfação dos blumenauenses.

De acordo com um novo levantamento do Projeto Focus, feito por alunos da Universidade Regional de Blumenau (Furb), 88% dos entrevistados consideram Blumenau uma cidade boa ou ótima para se viver. Mais de 80% deles também dizem que sentem algum orgulho de morar no município e metade desse grupo (40%) provavelmente não se mudaria. Estatísticas que indicam muito sobre a percepção dos moradores mesmo em tempos de problemas visíveis.

A pesquisa aponta, ainda, que a satisfação com a cidade é equivalente entre quem é blumenauense e com as pessoas que chegaram de outro lugar – revelando uma veia acolhedora da localidade. É o caso do engenheiro químico Kainan Weege, de 23 anos, que acabou de se formar na universidade e pretende ficar em Blumenau – a não ser que as oportunidades de emprego o obriguem a buscar um novo destino. Nascido em Balneário Camboriú, ele já morou no Paraná e é no Vale do Itajaí que se sente mais em casa.

– As pessoas daqui são sérias, trabalhadoras e gentis. Me sinto seguro, vou sempre para Balneário Camboriú e já visitei outros Estados e em lugar algum me senti tão bem como me sinto aqui. Sinto um pouco a falta de mais parques na cidade, o Ramiro e a Prainha ficam muito cheio, mas são lugares que eu gosto muito – afirma o jovem.

Kainan faz parte do grupo que, segundo a pesquisa, diz se sentir quase que totalmente parte de Blumenau. Sensação essa, que nasce de uma combinação de fatores que criam o aconchego do lugar. Para a doutora em psicologia Catarina Gewehr, trata-se de uma cidade que mantém características acolhedoras mesmo com o processo de urbanização das últimas décadas:

– Blumenau é uma cidade média com hábitos de município pequeno que ainda permite o contato nominal entre as pessoas. Os moradores não são anônimos na multidão. Não é imediato, mas passando a barreira inicial a pessoa se integra ao estilo rapidamente – explica.

Segundo Catarina, é possível notar em Blumenau uma intimidade, algo que faz com que as pessoas reconheçam os lugares como algo familiar e se sintam seguras, e isso reflete inclusive nas memórias comuns dos moradores, algo usual nas referências a pontos históricos da cidade, como a ex-sede da prefeitura, a antiga rodoviária e a praça das gaitas Hering. Lugares que não existem há décadas, mas que seguem nas referências, alimentando o imaginário.

– Florianópolis, por exemplo, também tinha essa sensação de acolhimento, mas é uma cidade de fluxo, as pessoas passam por lá e não ficam, e quem fica tem esse sentimento de visitante – esclareceu a psicóloga.

 

Fonte: JSC | Foto: Luís C. Kriewall Filgo

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