Número de mortes em confrontos com a polícia aumenta 34% em Santa Catarina

A cada quatro dias, uma pessoa foi morta por policiais em Santa Catarina em 2018. Em 11 meses e cinco dias deste ano, 91 pessoas morreram em situação de confronto com policiais no Estado – 89 mortes pela Polícia Militar (PM) e duas pela Civil.

Os dados são da Secretaria da Segurança Pública (SSP) catarinense e representam aumento de um terço (33,8%) na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram verificadas 68 mortes: 62 com a PM e 6 com a Polícia Civil.

O número também é superior ao total de mortes em intervenções policiais registrado em todo o ano passado, que foi de 77 casos.

Desde que os dados da letalidade policial começaram a ser divulgados no site da SSP, em 2010, este é o segundo ano em que a curva subiu: em 2014, a SSP registrou 91 mortes policiais, mesmo dado de agora, quase um mês antes de o ano acabar.

Nos outros anos, a média de mortes em confronto ficava na casa dos 60 casos para baixo.

A SSP não soube informar à reportagem em quais cidades catarinenses aconteceram as 91 mortes em confronto, mas Florianópolis lidera a lista, com 22 casos.

Também há registros em Joinville, Blumenau, Criciúma, Chapecó, Itajaí e Balneário Camboriú, entre outras cidades médias que ficam próximas aos sete polos regionais de Santa Catarina.

Tanto em 2017 como em 2018, nenhum policial morreu em situações de confronto no Estado.

Para a SSP, alguns fatores explicam o aumento dos confrontos com mortes envolvendo as polícias Militar e Civil em Santa Catarina: prisões mais qualificadas, necessidade de ação mais enérgica em situações de risco ao policial e à comunidade, além do próprio mercado criminoso do tráfico de drogas foram citados pelo secretário de Segurança Pública, o advogado e doutor em direito penal, Alceu de Oliveira Pinto Júnior.

Os argumentos da Polícia Militar

Segundo o comandante geral da PM de Santa Catarina, coronel Araújo Gomes, as razões para o crescimento da letalidade policial em 2018 dividem-se em três eixos: mais armas nas mãos de criminosos, disposição de enfrentar a polícia e a proximidade da facção nascida no Estado com grupos criminosos do Rio de Janeiro.

– A letalidade policial não é uma escolha. Ao intervir, nosso objetivo é prender. Entretanto, é imposta por situações de perigo e, se for necessário e legal, acontece e vai continuar acontecendo. É preciso que os criminosos entendam que os policiais estão preparados e equipados para situações críticas, e evitem o confronto – alerta o comandante geral.

Em Florianópolis, pontua Gomes, a tomada de regiões ocupadas pelo tráfico por parte da PM, por meio de operações como a Mãos Dadas, causa um “estrago” nas facções criminosas, “que por sua vez partem para o confronto e encontram um policial mais preparado e melhor equipado para apresentá-los”.

Fonte: DC | Foto: Felipe Carneiro

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