Justiça de SC arquiva processo contra ex-governador Raimundo Colombo e Antonio Gavazzoni baseado em delação da JBS

Delator disse que campanha do ex-governador recebeu R$ 10 milhões em troca de facilidades na privatização da estatal de água, mas MP viu ‘inconsistência’ na acusação. ‘Sempre acreditei na Justiça’, diz Colombo.

A 2ª Vara Criminal de Florianópolis arquivou o processo criminal contra o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e o ex-secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni (PSD) por suspeita de recebimento de R$ 10 milhões em propina em 2014.

A Justiça acatou um parecer do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) feito em 5 de junho, que apontou inconsistência na delação do ex-executivo da JBS Ricardo Saud. O processo corre em segredo de Justiça.

Em 5 de maio de 2017, o delator afirmou que foram pagos R$ 10 milhões em propina para a campanha de Colombo nas eleições de 2014. O objetivo, segundo Saud, era obter facilidades na licitação para comprar a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

Raimundo Colombo comentou em nota a decisão da Justiça de arquivar delação da JBS: “Sempre acreditei na Justiça e tinha absoluta certeza de que esse seria o resultado. Por uma questão de consciência, porque não havia cometido nenhum crime ou ilegalidade”.

Já Gavazzoni, também em nota, afirmou: “Estou muito feliz com essa notícia, agradeço à Procuradoria Geral de Justiça e ao Ministério Público Estadual pelo profissionalismo e a todos que confiaram em mim.

Saí voluntariamente do governo para provar minha honestidade e a verdade por fim apareceu”.

Depois de tramitar em instâncias superiores, o processo criminal foi aberto na Justiça de Santa Catarina em abril de 2018, após a renúncia de Colombo. O juiz Fernando Vieira Luiz determinou o arquivamento “diante da ausência de elementos suficientes à propositura da ação penal”.

A manifestação da promotora Rosemary Machado Silva diz que as acusações do ex-executivo da JBS Ricardo Saud não condizem com os fatos. Por isso, pediu pelo arquivamento da representação contra Colombo e Gavazzoni.

“Sem maiores detalhes, nem descrições pormenorizadas e nem datas correlatas, se encerra a delação do colaborador Ricardo Saud, livrando-se das penalidades”, explica a promotora em um trecho.

A promotora afirma, entre outros argumentos, que a venda da Casan já tinha sido suspensa por decisão do governo em 13 de agosto de 2013, um ano antes da doação de R$ 8 milhões da JBS para a campanha à reeleição de Colombo.

O ex-governador afirma que as doações foram legais ao diretório nacional do PSD.

Sobre um possível recebimento de R$ 2 milhões em dinheiro vivo por propina por Gavazzoni, em um supermercado da capital, a promotora diz: “seguindo o mesmo comportamento indigno com o instituto da delação premiada, o delator fala que não se lembra se foi o Secretário da Fazenda Estadual, ora investigado, ou se foi outro mensageiro”.

Foto: Mariana de Ávila

Posição dos citados

Veja a integra da nota do ex-governador Raimundo Colombo:

“O ex-governador Raimundo Colombo diz receber com tranquilidade a decisão do juiz Fernando Vieira Luiz, da segunda vara criminal de Florianópolis, que aceitou a recomendação do Ministério Público de Santa Catarina e determinou o arquivamento do processo que apurava a delação premiada de executivo da empresa JBS. O parecer da promotora Rosemary Machado Silva tem 14 páginas e conclui que a narrativa do delator Ricardo Saud não sobrevive à contextualização dos fatos.

“Sempre acreditei na Justiça e tinha absoluta certeza de que esse seria o resultado. Por uma questão de consciência, porque não havia cometido nenhum crime ou ilegalidade”, afirma.

Colombo observa, contudo, que os prejuízos a sua imagem foram grandes. “É como se você jogasse um saco de penas de cima de uma torre. Nunca mais conseguiria juntar todas elas”, lamenta, ao lembrar que o sofrimento durante todo esse período foi muito grande.

O ex-governador destaca que a Justiça traz um conforto e faz aumentar a fé de que a democracia é o melhor sistema que a sociedade tem para se proteger. “Esse momento repõe a verdade e me sinto seguro de que vale a pena acreditar na Justiça”, ressalta”

Veja a íntegra da nota de Antonio Marcos Gavazzoni:

“O Ministério Público de Santa Catarina determinou, nesta segunda-feira (16), o arquivamento da investigação contra o ex-secretário da Fazenda, Antonio Marcos Gavazzoni, relacionada à empresa JBS. Em março, a Procuradoria Geral da República já havia absolvido o ex-secretário no caso ligado à Odebrecht. “Estou muito feliz com essa notícia, agradeço à Procuradoria Geral de Justiça e ao Ministério Público Estadual pelo profissionalismo e a todos que confiaram em mim. Saí voluntariamente do governo para provar minha honestidade e a verdade por fim apareceu”, disse Gavazzoni. Por 11 anos, ele ocupou os cargos de secretário de estado da Administração, presidente do grupo Celesc e secretário da Fazenda, pasta que deixou em maio de 2017 para trabalhar na sua defesa”.

Fonte: Portal G1 | Foto: Reprodução

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