Jovens de escolas públicas aprendem a criar aplicativos para celular em Florianópolis

E se, em vez de perder tanto tempo no celular deslizando os dedos para baixo ou lado nos aplicativos de Mark Zuckerberg, a juventude não aprendesse a desenvolver seus próprios apps? E mais: se jovens de baixa renda, longe do universo da programação, tivessem a oportunidade de aprender e trabalhar nesse mercado? Pois isso já acontece em Florianópolis e com resultados positivos.

O projeto se chama Mão na Massa e começou em 2017, quando a startup manezinha e internacional Cheesecake Labs iniciou curso de linguagem de programação para jovens carentes de 14 a 20 anos, em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e o Comitê Para Democratização da Informática de SC (CPDI).

Marcelo Gracietti, um dos professores, explica que a empresa possui muitos clientes no Vale do Silício, e seus profissionais queriam compartilhar o que sabem de uma forma voluntária.

– Esse tipo de conhecimento que a gente está repassando hoje é muito difícil de encontrar em universidades do Brasil, porque são tecnologias muito novas – salienta.

No ano passado, foi feita a primeira turma de Android Básica I com 12 alunos. No segundo semestre, passaram para duas, e a anterior foi para nível 2. Hoje são 48 alunos. Daniel Rosa Junior, de 17 anos, é morador da Coloninha, aluno do IEE e está pondo a mão na massa desde primeira turma.

Ele participou do desenvolvimento de aplicativos como o MiAudote, uma plataforma que que facilita a adoção de cachorros e gatos de rua. Também ajudou a criar o Desenvolvimento de Cidades, que possibilita a avaliação de pontos turísticos das cidades brasileiras, e o Rotina de Sucesso, aplicativo que acompanha os estudos e estimula o desenvolvimento acadêmico.

Foto: Cristiano Estrela

– No início, fiquei assustado, porque percebi que todos os meus colegas já tinham bastante conhecimento, então tive medo de ficar para trás. Mas acabei descobrindo que tudo que eu achava complicado os professores conseguiram me ensinar. Então eu comecei me interessar mais.

O professor Guilherme Yuzohayashi explica que o objetivo não é só fazer apps.

– É todo um ecossistema. A ideia é mostrar toda a indústria do software e não só a programação. Fazer como as maiores empresas do mundo trabalham, como a Google faz, como a Uber faz.

Tudo de forma gratuita

Daniel chegou ao projeto através do CPDI, que é a entidade que indica os alunos. Já o IFSC cede o laboratório, e a Chessecake fornece alimentação, vale-transporte e o know-how dos professores.

O CPDI já desenvolve um curso de programação para jovens e, por ter esse contato com a comunidade, foi procurado pela Cheesecake. Os alunos que passam pelo comitê são convidados a integrar as turmas do Mão na Massa. Tudo gratuito.

– A gente procura sempre trabalhar com a questão da vulnerabilidade social, então selecionamos jovens de comunidades carentes, mas a gente não exclui ninguém. Se chegar alguém com condições de pagar um curso, não vamos mandar embora, mas absorver esse jovem. E esperamos que o mercado também absorva, já temos inclusive um estagiário aqui na Cheesecake mesmo – destaca Cleusa Kreusch, da área pedagógica do CPDI.

 

Fonte: Hora de SC | Foto: Cristiano Estrela

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