Jogos feitos em SC miram mercado global e chegam a lojas virtuais internacionais e videogames

A aproximação entre plataformas que vendem jogos eletrônicos e os desenvolvedores tem rendido frutos em Santa Catarina, principalmente na capital. Considerada um polo tecnológico, Florianópolis é sede de diversas pequenas empresas que têm como foco esse mercado.

Mas a localização geográfica não é um limite para o público-alvo dos games. Muitas empresas buscam um mercado global e a venda de suas criações em diversas plataformas.

Uma das mais acessíveis ao público é o celular. Esse dispositivo foi o foco inicial da empresa Cat Nigiri, contou o diretor, Luiz Fernando de Vasconcelos Guimarães, de 36 anos.

Cinco jogos do estúdio estão disponíveis para celulares e, segundo Nando, como é conhecido, fazer um game chegar às famosas lojas App Store, da Apple, e Play Store, da Google, não é muito complicado.

“O problema é visibilidade. Google e Apple só dão destaque para os [jogos] que acreditam ser os melhores, com algum assunto da moda, baixados bastante”, diz Luiz Fernando.

Outra plataforma em que é difícil se sobressair são os computadores. A Steam é a mais famosa loja para quem busca jogos para o laptop ou PC. Foi nela que a Hoplon, uma das maiores empresas de games do estado, colocou uma versão de seu novo produto: um jogo em que jogadores do mundo todo podem competir entre si em uma arena virtual.

“A gente levou em conta número de jogadores, a aderência do nosso produto, fizemos vários testes de regiões”, diz a gerente de marketing e publicação da empresa, Tatiana Moreira, sobre a escolha pela Steam.

Segundo ela, o jogo já foi baixado 110 mil vezes. Ele ainda está em desenvolvimento e terá lançamento oficial mais tarde. Por isso, a empresa aproveita a comunidade da Steam para fazer ajustes e preparar o produto final.

Mais de 70 pessoas trabalham na Hoplon, mas a maioria das empresas do ramo tem em torno de cinco funcionários, conforme a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). Uma dessas empresas é a Cyber Rhino, que fez seu jogo de tiro com apenas três pessoas: um designer, que também é programador, outro programador e um artista.

Além do computador e celulares, o game foi lançado para os videogames Playstation 4 e Xbox One. No caso do PS4, o jogo saiu inclusive em disco, não apenas na loja virtual.

Sandro Tomasetti, um dos sócios do estúdio e designer desse game, contou como foi a negociação com as empresas de videogame.

“Em um evento que teve em São Paulo, a gente apresentou o jogo para um representante da Sony, que disse que tinha potencial. Fomos buscar o kit de desenvolvimento deles”. Os programadores precisam desse kit para fazer uma versão do jogo para o videogame.

No caso do Xbox One, o estúdio teve uma iniciativa mais independente. “A gente entrou no site e fez o processo natural deles, mandou um documento explicando como era o jogo”, explica Sandro. Depois desse processo, receberam o kit.

Amadurecimento

Seja qual for a plataforma ou tamanho da empresa, a indústria de jogos eletrônicos está amadurecendo em Santa Catarina, de acordo com Arthur Nunes, diretor da Vertical Games, braço desse segmento na Acate. “As empresas já encaram como negócio”, afirmou.

Ele cita a oferta no ensino superior catarinense de formação para esse mercado. “As universidades têm capacitado melhor, nacionalmente falando também. Games é isso, desenvolver-se um jogo para vender para o mundo inteiro. Mercado nasce globalizado já”.

Recomendações

Para quem quiser desenvolver um game, os desenvolvedores fazem recomendações. “Pelo menos lançar 10 jogos para entender como o mercado funciona e ir a todos os eventos possíveis”, diz Luiz Fernando, da Cat Nigiri.

Para começar, ele também tem dicas para arrecadar recursos. “Tentar todos os editais para ver se consegue verba para iniciar e encontrar investidores privados que queiram apostar no mercado de jogos. Ainda está bem tímido no Brasil, às vezes não investem por falta de conhecimento. Grandes empresas da China já estão fazendo isso”.

A recomendação da Hoplon é no âmbito da divulgação. “Começar a trabalhar o marketing e a comunicação antes de você lançar. Alguns acabam deixando só para a data de lançamento. A partir do momento que você teve a ideia [do jogo], pensar como entregar esse produto para as pessoas, canais para se comunicar nas mídias sociais. Precisa ter contato com o jogador desde o começo”, diz Tatiana Moreira.

Para o designer da Cyber Rhino, não se pode desistir. “A grande lição é a perseverança. Continuar tentando, independentemente das dificuldades que vão vir. Não é um mercado fácil, mas as pessoas te abraçam, o público. O mercado é muito competitivo, tem muita oferta. Mesmo que o jogo seja ótimo, não aparece. Tem que ter essa paciência”.

“É um negócio de alto risco de investimento, um mercado muito grande. Para atingir sucesso, tem um certo risco embutido”, resume o diretor da Vertical Games.

Mais desafios

Mesmo com as dificuldades e após todas as conquistas, as empresas catarinenses seguem buscando mais. A Hoplon ouve os jogadores da versão em desenvolvimento de seu jogo para aperfeiçoá-lo e, depois, fazer o lançamento oficial no segundo semestre.

A Cat Nigiri trabalha na versão para videogames de uma de suas criações. Além disso, o diretor viajou para o Japão em maio para um contato com a Nintendo, outra gigante dos jogos eletrônicos. Também trabalha no desenvolvimento de outros dois games, um deles vencedor de verba da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

A Cyber Rhino está com três projetos: um jogo de tabuleiro, outro game eletrônico, com recursos da Ancine, e uma escape room, jogo em que um grupo de pessoas fica trancada dentro de uma sala e resolve enigmas para poder escapar.

Fonte: Portal G1 | Foto: Divulgação

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