Hospital de Gaspar registra vários casos de erros em receitas médicas

“… Exercerei a minha arte com consciência e dignidade. A Saúde do meu doente será a minha primeira preocupação… Guardarei respeito absoluto pela vida humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos médicos contra as leis da humanidade. Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra”. Este é um trecho do juramento dos profissionais que se dedicam à medicina. As afirmações feitas após a conclusão do curso, porém, estão sendo esquecidas por alguns médicos que trabalham no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

No início da semana, o Cruzeiro do Vale noticiou uma situação envolvendo erro em uma receita médica. Trata-se de uma menina de seis anos que foi levada pelo seu pai ao Hospital de Gaspar e, ao final da consulta, recebeu uma lista de remédios em nome de outro paciente. Após a divulgação da notícia no Facebook do Cruzeiro do Vale, diversas pessoas se manifestaram afirmando que casos como esse acontecem com frequência no hospital. A postagem teve mais de 300 curtidas, 134 compartilhamentos e 70 comentários de internautas que, em sua maioria, relataram erros em receitas e falaram sobre como é o atendimento no hospital.

No dia 5 de dezembro, Ângelo Rudinei Ribeiro levou a filha de seis anos até a Estratégia da Saúde da Família Margem Esquerda II para atendimento médico. Isso porque a menina sentia fortes dores no peito e na barriga e estava com falta de ar. Chegando lá, ele teve a primeira surpresa: o posto estava sem médico.

Como a criança não podia ficar sem atendimento, o morador do bairro Margem Esquerda levou a menina até o Hospital de Gaspar. O pai conta que, apesar da demora, conseguiu que a filha fosse atendida por uma médica pediatra. Ao final da consulta, Ângelo foi até a farmácia para comprar os medicamentos prescritos. Foi aí que surgiu a segunda surpresa: a receita estava em nome de outra criança. No lugar dos dados particulares da filha estava o nome e endereço de um menino. Os medicamentos prescritos às duas crianças eram os mesmos. Porém, o tempo de aplicação e uso eram diferentes.

A falta de atenção da médica que realizou o atendimento causou revolta e deixou o pai preocupado. “Ela me deu a receita de outro paciente. Isso é muito grave. Eu podia ter dado dose ou até mesmo um remédio errado para minha filha. E um erro desse pode matar”.

Caso de 9 de dezembro

Um casal que prefere não se identificar por medo de represália em possíveis retornos ao hospital também passou pela mesma situação. A mulher conta que no dia 9 de dezembro, por volta das 22h, chegou ao hospital para acompanhar o marido que estava com dor no braço. Após quase quatro horas de espera, ele foi atendido por um médico, que informou que ele estava com dor muscular. A esposa conta que o marido não sabe ler e que, após sair do hospital, reparou que a receita estava em nome de outra pessoa. “Era o nome e o endereço de um outro homem. Não voltamos ao hospital porque o remédio prescrito era um relaxante muscular. Ele tomou e depois ficou bom”, conta.

Esta não é a primeira vez que o casal precisa ir até o Hospital de Gaspar. Em outra situação, a mulher chegou a receber uma receita médica com o nome de outro paciente.

Mulher recebe receita em nome de homem

Não importa de quantos meses uma mulher está grávida. As mudanças no corpo começam a aparecer logo no início da gestação. Essas alterações, que deixam as futuras mães mais sensíveis, ficam ainda mais à flor da pele quando a mulher passa por um aborto espontâneo. Esse foi o caso da jovem Marcela da Costa Turques.

No dia 29 de agosto deste ano, ela passou por um aborto espontâneo e, no dia seguinte, foi até o Hospital de Gaspar porque sentina muita cólica. Marcela conta que não lembra ao certo o tempo que precisou esperar, mas o atendimento demorou para ser realizado. Ela estava sozinha e chegou ao hospital por volta das 13h. Após ser atendida, Marcela foi para a casa da mãe. Chegando lá, ela viu que a receita que recebeu estava em nome de um homem. “Só não voltei ao hospital porque os remédios que estavam na receita eram os que a médica falou que ia me receitar. Mas fiquei preocupada. Se eu não tivesse prestado atenção, corria o risco de ingerir um remédio errado”.

Marcela afirma que já precisou dos atendimentos dos médicos do Hospital de Gaspar em outros momentos devido a um problema que tem no coração. “Já fui bem atendida por médicos que tem o maior cuidado com os pacientes. Mas tem outros que nem olham na nossa cara”, afirma.

 

Fonte: Cruzeiro do Vale

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