Hospital de Gaspar continua no vermelho e déficit operacional passa de R$ 2 milhões

O hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro somente permanece aberto porque a prefeitura de Gaspar segue cobrindo o rombo financeiro mensal. “O que o hospital produz de receita não cobre o custo operacional”, afirmou o secretário Municipal da Saúde, Roberto Pereira, durante a prestação de contas trimestral da instituição, na tarde da última quinta-feira, 9 de setembro. Para se ter ideia, no primeiro semestre deste ano, o déficit operacional do hospital foi de R$ 2.055.044,00.

E a despesas não param de crescer, embora a direção da Casa tenha feito cortes. “Não dá para cortar mais nada”, admite o presidente da Comissão Interventora do hospital, Willian Kaiser.

Para ele, os números apresentados mostram como o papel da prefeitura é importante para a manutenção do hospital. “Temos trabalhado constantemente para aumentar as receitas e diminuir as despesas para que possamos melhor aplicar o dinheiro público e atender mais satisfatoriamente a população”, destaca.

Segundo ele, para que o hospital consiga, no mínimo, equilibrar as finanças e ainda investir na ampliação e melhoria dos serviços seria necessário aumentar a receita em cerca de R$ 500 mil/mês. Enquanto isso não acontece, a prefeitura segue sendo a principal mantenedora do hospital. De acordo com os números apresentados, 67,32% dos recursos aportados no hospital tem origem no caixa da prefeitura de Gaspar. De 2013 para cá, a prefeitura de Gaspar já colocou quase R$ 7 milhões na instituição que é filantrópica, ou seja, não pertence à prefeitura. Os governos do Estado e Federal, juntos, repassam cerca de 32% do custeio da instituição e ainda com atraso. Depois de quase um ano, o governo do estado colocou em dia os repasses mensais de R$ 11 mil.

Os números mostram ainda que a evolução dos investimentos do governo municipal no hospital chegaram a 14,7%, enquanto os investimentos estaduais e federais cresceram até 2016, mas em 2017 registraram uma queda de 0,88%.

Mas nem tudo são espinhos na administração do Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. William Kaiser trouxe a boa notícia que o número de atendimentos realizados, de janeiro a julho deste ano, aumentou positivamente. Foram 3.390 no primeiro mês de 2018. Em julho este número pulou para 4.299, o que corresponde a um aumento de 26,8%.

Outro ponto que teve melhora positiva foram os atendimentos ambulatoriais. Em janeiro foram realizados 112 atendimentos no PA, e no mês de julho 687, número que cresceu 16,3%. O número de cirurgias também aumentou, embora o centro cirúrgico permaneça ocioso. De acordo com o secretário Pereira, as três salas cirúrgicas tem capacidade para realizar até 300 cirurgias de baixa complexidade, porém a média não chega a metade. Em julho, por exemplo, o hospital realizou 149 intervenções, um aumento de 61% em relação a janeiro deste ano.

Pereira não tem dúvida de que a intervenção do hospital, que já dura quase cinco anos, é fundamental para que a instituição permaneça com as portas abertas. Todavia, ele alerta que é preciso criar mecanismos para incrementar a receita. Um deles é aumentar a capacidade de complexidade. “Se o hospital ficar só no atendimento ambulatorial e cirurgias de baixa complexidade vai permanecer deficitário”, enfatiza. A ideia, segundo o secretário, é dobrar o número de cirurgias e elevar o grau de complexidade dessas cirurgias. “Quanto mais complexa a cirurgia melhor paga o SUS, além disso vamos conseguir trazer o planos de saúde para dentro do hospital”, sustenta Pereira. Ele também vê benefícios para a população de Gaspar, que terá muito mais comodidade ao utilizar o hospital para cirurgias. “O hospital é o maior equipamento de Saúde do nosso município e por isso é nossa obrigação cuidar bem dele. A prestação de contas à comunidade é mais uma ação de transparência para que todos possam acompanhar os resultados alcançados”, finaliza o secretário Pereira.

 

Fonte: Jornal Metas | Foto: Ivan Luchtemberg

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