Gaspar terá programação especial refente aos dez anos da tragédia climática no Vale do Itajaí

Foram 21 mortos, 300 feridos, mais de quatro mil desabrigados e mais de 700 residências destruídas somente em Gaspar: uma tragédia que o Vale do Itajaí jamais esquecerá. Neste mês de novembro, a catástrofe climática que assolou a região completa 10 anos e até hoje as marcas da fúria da natureza estão presentes. Seja na memória de quem vivenciou aqueles dias de desespero ou nas paisagens e cenários modificados. Para marcar a data, a Defesa Civil de Gaspar preparou uma programação especial. A abertura oficial das atividades será na próxima quinta-feira, 1º de novembro, às 9h, na Câmara de Vereadores. “Nossa intenção é sensibilizar a comunidade para a importância da prevenção e também divulgar o que tem sido feito para prevenir e preparar a cidade para eventos como o de novembro de 2008”, ressalta o superintendente de Defesa Civil de Gaspar, Rafael Araújo de Freitas.

Ele explica que entre as atividades programadas está uma palestra com o geólogo Juarês Aumond, para explicar à população sobre os processos dinâmicos do clima, seus impactos e danos. “Hoje, estes eventos estão acontecendo com mais frequência e força”, alerta Rafael. Também serão realizados treinamentos e simulados, além do lançamento do Núcleo de Proteção e Defesa Civil (Nupdesc) – programa que será realizado em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Porém, o momento mais importante será a inauguração do Memorial, no dia 22. Uma placa com os nomes dos mortos na tragédia será fixada na Praça Getúlio Vargas. “Precisamos demonstrar respeito com o que houve e também deixar o recado de que não vamos nos esquecer deles e nem da tragédia. Este sentimento que aflora a cada novembro é o combustível para nosso trabalho. É o que nos motiva a querer fazer sempre mais para evitarmos novas perdas”, afirma Rafael.

Para ele, a tragédia trouxe alguns ensinamentos, que não devem passar despercebidos nem pelas autoridades nem pela comunidade. “Acredito que uma das coisas que aprendemos com a catástrofe é que precisamos cuidar da natureza e respeitar o meio ambiente. Muitas vezes, os riscos estão mapeados, são informados e, mesmo assim, o cidadão não dá atenção e acaba, por exemplo, ocupando áreas de risco”, diz.

O superintendente também chama a atenção para o efeito surpresa. “A tragédia mostrou que não tínhamos nenhum preparo para lidar com um evento como aquele e todos os órgãos tem consciência disso. É importante também frisar que, mesmo com o preparo, pode haver vítimas, mas quanto mais preparado estivermos, quanto mais a sério a Defesa Civil for levada pelos poderes público e privado, os danos e mortes serão reduzidos”, ressalta. Hoje, a grande preocupação, de acordo com o superintendente, é com as inundações e deslizamentos de terra. “Os deslizamentos são mais graves pois podem acontecer a qualquer momento, resultando em vítimas. Já a inundação é mais fácil prever e existe mais tempo para tomarmos as ações necessárias. Por isso, as ocupações em áreas de risco, de forma irregular e desenfreada, nos preocupa muito”.

Educação é o caminho

Para Rafael, o melhor caminho para mudar esta realidade é a educação. “Este é, sem dúvida, o melhor agente da Defesa Civil. Por isso, estamos trabalhando com projetos nas escolas. Discutir o tema com as crianças será importante para fazer com que as futuras gerações sejam mais sensíveis, tenham mais atenção e consciência. Assim, elas serão pessoas menos vulneráveis aos riscos. É uma atitude barata é com resultado certo”. O superintendente também afirma que é necessário investir em treinamento e capacitações. “Precisamos buscar sempre excelência nos treinamentos e também no preparo da comunidade para, assim, deixarmos o município cada vez mais resiliente. A cidade precisa ter um plano de ação para que, quando aconteça um evento, ela consiga superar e voltar a sua normalidade o mais rápido possível”. À frente da Defesa Civil de Gaspar há dois anos, Rafael cita algumas ações já realizadas no município. “Aumentamos nossa integração com o Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, principais órgãos que atuam na resposta, e também criamos o grupo de voluntários. Além disso, colocamos em prática a Defesa Civil na Escola e o projeto Agente Mirim e, no ano que vem, iniciaremos a formação dos núcleos”. Mas, confessa o superintendente, há muito ainda que se fazer. “Não tenho dúvidas de que estas ações de educação vão deixar a cidade mais preparada. Mas também precisamos de investimentos. Ainda não temos a cota de enchente, que é importantíssima, e também precisamos estruturar a Defesa Civil com uma equipe técnica e com um quadro de agentes, hoje inexistente”.

Programação

  • Dia 1º de novembro – 9h – Abertura oficial, Praça Getúlio Vargas;
  • Dia 7 de novembro- 19h – Palestra com o geólogo Juarês Aumond, Câmara de Vereadores;
  • Dias 10 e 11 de novembro – 5h – Acampamento dos voluntários, Mata Nativa;
  • Dia 20 de novembro – 17h30min – Lançamento do Nupdesc, prefeitura;
  • Dia 22 de novembro – 18h – Inauguração do Memorial, Praça Getúlio Vargas;
  • Dia 23 de novembro – Das 8h às 17h –Programa Agente Mirim, Fazzenda Park Hotel;
  • Dia 29 de novembro – 8h – Fiscalização de produtos perigosos (pela cidade);
  • Dia 30 de novembro – 9h – Simulado de Mesa Grac, auditório Ditran.

 

Fonte: Jornal Metas | Foto: Arquivo Jornal Metas

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