Escola Municipal Ella Schwanke Eichstadt na Vila Itoupava, em Blumenau, será fechada

A Escola Isolada Municipal Ella Schwanke Eichstadt, no distrito da Vila Itoupava, em Blumenau, vai ser fechada no fim deste ano. A decisão, antecipada à direção da escola no dia 3 do mês passado, foi confirmada aos pais dos 30 alunos da instituição em uma reunião tensa há uma semana. Eles já fizeram a rematrícula para o ano que vem e agora serão transferidos para outro colégio do bairro para o próximo ano.

A explicação dada pela Secretaria Municipal de Educação foi que o motivo do fechamento seria o reduzido número de alunos e o fato de a escola ainda trabalhar com o modelo de turmas multisseriadas – quando alunos de anos diferentes estudam na mesma sala de aula.

A decisão desagradou professores e pais de alunos. Foi na escola de madeira hoje com paredes azuis claras, às margens da SC-108, perto do limite de Blumenau com Massaranduba, que Elmo Kurth, 65 anos, e o filho dele, Roberto Kurth, 37, aprenderam a ler e a escrever. Ainda conservam as memórias do colégio onde atualmente estudam Raiane, de 11 anos, e Deivid, 5, terceira geração da família.

Raiane precisaria sair naturalmente no ano que vem já que irá para o 6º ano e a escola que será fechada pela prefeitura oferece apenas até o 5º. Mas a escola continuaria a atender a família porque o filho mais novo do casal, Eliéser, de 3 anos, entra na idade escolar no ano que vem. Não vai dar. A saída deve ser a matrícula em outra unidade do município.

A Secretaria Municipal de Educação informou aos pais que vai oferecer transporte escolar para levar os atuais alunos da Ella Schwanke Eichstadt até a Escola Isolada Municipal Willy Muller, a aproximadamente seis quilômetros de onde estudam hoje. Essa unidade será o destino dos estudantes no próximo ano.

O problema é que de acordo com os pais este trecho oferece risco aos alunos. No caminho principal, pela rodovia SC-108, o ônibus precisaria atravessar a rodovia no cruzamento de acesso a Luís Alves e, no caminho alternativo, pelo interior do bairro, o trajeto teria barrancos e muito fluxo de caminhões.

A escola é maravilhosa, a evolução da minha filha depois que ela começou a estudar ali foi visível. Era algo bom que nós tínhamos – lamenta a mãe Daiana Patrícia Woschnak, 33 anos.

Roberto, pai dos alunos, queixa-se da forma como o fechamento da escola foi decidido. Ele afirma que a comunidade local cogita fazer um protesto para reivindicar que a escola mantenha as atividades.

Na reunião, eles disseram que não adiantava queimar pneu, não adiantava chamar a imprensa, que não mudaria nada. Não houve debate, vieram com a decisão tomada – conta o pai.

Direção e professores lamentam decisão

A escola foi fundada há pelo menos 80 anos. O prédio tem duas salas de aula, cozinha, parquinho e quadra de areia. De acordo com a direção, a unidade passou por reforma em maio.

Atualmente, a instituição tem 30 alunos que estudam em turmas multisseriadas do pré-escolar ao 5º ano do ensino fundamental. Pela manhã são sete alunos de 4º e 5º ano e à tarde, 23, do pré-escolar ao 3º ano.

A diretora da escola, Edla Gaulke, também lamenta o fechamento do espaço, onde há aulas de alemão para as crianças. Para a professora Margrid Rohweder dá aulas na unidade há 25 anos e confirma que os pais ficaram preocupados com a notícia.

Ninguém quer que ela feche. Haverá o transtorno do transporte, que é muito perigoso para os alunos. Não pode acontecer – defende a educadora.

Tendência é de concentração dos estudantes em unidades maiores

O diretor administrativo-financeiro da Secretaria Municipal de Educação, Mauro Tessari, argumenta que o fechamento da escola Ella Schwanke Eichstadt ocorre por uma série de questões. O principal deles, segundo o diretor, seria uma “dificuldade no ensino de qualidade e no desenvolvimento do aluno” pelo fato de a escola trabalhar com turmas multisseriadas.

A previsão é de que no ano que vem haveria ainda menos alunos nessa unidade escolar. As turmas já são de um aluno, três alunos. Só na faixa de pré-escola que tinha 11. Então o aluno fica muito isolado e isso não é bom para o desenvolvimento dele – sustenta o diretor.

Segundo ele, a intenção era unir esses estudantes com os da escola Willy Muller, onde haveria uma estrutura física maior para os alunos. Na escola Willy Muller, no entanto, até este ano os alunos também estudam em turmas multisseriadas. A intenção, segundo o diretor, seria de que com os alunos da Ella Schwanke Eichstadt fosse possível criar turmas separadas por idade, mas isso ainda deve depender da quantidade de matrículas na unidade.

A prefeitura não definiu o que vai fazer com o prédio da escola caso ela seja realmente fechada. Uma hipótese é construir uma área de lazer. O diretor rebate críticas dos pais como o risco que elas correriam ao percorrer um trajeto maior afirmando que a escola atual também fica às margens da rodovia SC-108, o que exige que o ônibus escolar cruze a pista todos os dias. Mesmo assim, ele afirma que o roteiro que as crianças vão fazer ainda será reavaliado após as matrículas.

Alguns pais manifestaram o desejo de matricular os filhos na escola Erich Klabunde, que também fica a cerca de seis quilômetros da escola atual e no ano que vem será uma das duas escolas bilíngues do município, em vez do Willy Muller. No entanto, para isso pedem que o município ofereça transporte também para esta unidade escolar. Questionado, o diretor afirma que a secretaria pode avaliar a possibilidade, mas que “a princípio a resposta seria não”, garantindo o transporte apenas para o que a secretaria chama de “zoneamento” – a escola indicada como a mais próxima.

Há um movimento natural que é a redução dessas escolas isoladas. Quando o tempo de deslocamento via transporte escolar não é muito longo, a tendência é sempre deslocar o aluno para estrutura melhor, um local com mais condições, alternativas, área esportiva e área de convivência no sentido de melhorar as oportunidades para o aluno – diz o diretor.

Em setembro do ano passado, a prefeitura já havia fechado a escola Margarida Freygang, na localidade da Nova Rússia, bairro Progresso. Na época, 16 alunos estudavam no local, também em turmas multisseriadas. Eles foram transferidos para a escola Pedro II. Atualmente, existem outras três escolas isoladas, com turmas multisseriadas, em Blumenau. No governo do Estado o fechamento de unidades também causou polêmica no fim do ano passado. O diretor afirma que não há mais nenhuma no radar, mas define como uma tendência a extinção de escolas isoladas para concentrar mais estudantes em unidades maiores.

 

Fonte: NSC | Foto: Jean Laurindo

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