Descarte incorreto de seringas é um problema recorrente, em Pomerode

Pomerode é exemplo em métodos de reciclagem, servindo de modelo para outras regiões. Quem mora no município, já sabe desse título, que só é possível graças ao trabalho conjunto da população pomerodense e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto, o Samae, que realiza as coletas do lixo reciclável, separado pela comunidade.

Mas, dessa vez, não iremos falar de um bom exemplo, mas sim, de um fato que é um ponto negativo para a cidade. Estamos falando do grande número de seringas que estão sendo descartadas através do lixo reciclável, ligando um sinal de preocupação aos que realizam a separação manual dos resíduos que chegam das coletas, diariamente, na esteira.

Nos últimos 10 dias, estima-se que mais de 500 seringas foram recolhidas pelos colaboradores da Usina de Triagem do Samae, no Ribeirão Clara. E nem todas elas são descartadas com a proteção de plástico que envolve a agulha. Por isso, dois funcionários acabaram se acidentando ao retirar uma dessas seringas, perfurando as mãos.

O diretor da usina, Jair de Oliveira, explica que, mesmo com as luvas de proteção usadas pelos colaboradores para fazer a separação dos resíduos, a probabilidade de penetração da agulha na mão, é grande.

“Nós ficamos muito tristes quando esse tipo de situação acontece no nosso local de trabalho. É revoltante, pois um acidente com essas seringas, que não sabemos sua real procedência, pode causar danos irreparáveis à saúde dos nossos colaboradores. E, mesmo com as luvas, usadas diariamente pelos trabalhadores para não se machucarem com objetos cortantes, o risco de perfuração é alto, aumentado a probabilidade de incidentes, como este que aconteceu”, desabafa o diretor.

Esse não é o primeiro caso de seringas encontradas na Usina de Triagem do Samae, mas não se compara com o grande número dos artefatos separados nos últimos 10 dias. O diretor pede a colaboração da comunidade, para que casos como este, sejam evitados.

“Pomerode, por si só, é uma cidade que colabora, e muito, com a reciclagem. Mas, ainda há aqueles que prejudicam o trabalho. Portanto, peço que se faça o descarte correto dessas seringas, para que nossos funcionários não se acidentem”, comenta.

Danos à saúde

Em caso de contato com seringas que já foram usadas, a pessoa corre o risco de contrair doenças, que podem gerar certos danos à saúde do indivíduo. Em contato com o Laboratório Sandrini, o Jornal de Pomerode conversou com Rodrigo Tavares Rodrigues, farmacêutico bioquímico.

Segundo Rodrigues, a perfuração dessas seringas, em qualquer lugar do corpo, abre a possibilidade de contaminação, principalmente se há, ainda, resquícios de sangue na agulha ou no corpo do artefato.

“O perigo do contato com amostras de sangue é a transmissão das doenças como hepatites virais, citomegalovirus, vírus Epstein-Barr, e também, doenças como sífilis, além do risco de infecção por vírus como das hepatites B e C e do HIV”, explica.

Ainda de acordo com o farmacêutico, a melhor maneira de descartar essas seringas é levar até um posto de saúde ou laboratório, que possuem caixas especiais para o transporte correto do objeto.

“Os acidentes com seringas tem uma incidência alta em profissionais da área da saúde. Portanto, o recomendado ao manipular esses objetos com agulhas é não encapar novamente a seringa após o uso, e descartar a mesma em recipiente próprio, como as caixas de perfuro cortante, pois elas possuem paredes rígidas para proteger contra acidentes”, ressalta.

O parecer do secretário de saúde

Para saber mais informações sobre o descarte incorreto dessas seringas, também conversamos com o Secretário de Saúde de Pomerode, Marcos Bönmann. De acordo com o secretário, em ocasiões que uma pessoa vai até o posto de saúde para retirar as seringas que injetam a insulina, geralmente usadas pelos diabéticos, que são fornecidas pelos E.S.F da cidade, o paciente é orientado a trazer de volta o objeto para que seja feito o descarte correto.

“Nós disponibilizamos a insulina para os diabéticos, que são orientados a trazer de volta as seringas para fazermos o descarte adequado. Mensalmente, pagamos uma empresa para transportar esses objetos e realizar um processo de incineração, com todo um processo de segurança, sendo o mais correto. Por isso, peço que a comunidade, em geral, colabore conosco, deixando essas seringas nos postos de saúde, que elas terão um destino certo, afinal, elas não são material reciclável”, afirma.

Caso esse descarte incorreto esteja sendo feito por agropecuárias, petshops, farmácias ou outros, o local é notificado, recebe uma multa e pode ter seu estabelecimento fechado pela Vigilância Epidemiológica de Pomerode.

 

Fonte: Jornal de Pomerode | Foto: Ilustrativa

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