Capacitação sobre a Febre Amarela reúne representantes da região no CIMVI

Na noite da última quarta-feira, 27 de março, aconteceu na sede do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), em Timbó, a formação ‘Os macacos e a febre amarela: o que precisamos saber?’. Cerca de 50 representantes dos municípios da região participaram da capacitação que foi comandada pela Técnica da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE), Renata Gatti.

A formação foi ofertada pela Secretaria de Estado da Saúde através da DIVE, em parceria com a Federação de Montanhismo e Escalada do Estado de Santa Catarina (FEMESC) e a Superintendência de Vigilância da Saúde, com o apoio do Projeto Bugio, Universidade Regional de Blumenau, Projeto de Trilha ‘Caminho da Mata Atlântica’, Associação de Ecoturismo, Preservação e Aventura do Vale do Itajaí (ASSEPAVI) e Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI).

Renata explica que essa formação foi pensada para desmistificar a relação do macaco com essa doença. “Os macacos são importantes para a vigilância contra a febre amarela porque eles são os primeiros a adoecer. Com a morte deles, nós podemos ter uma noção de que o vírus pode estar naquela região e podemos, então, começar medidas naquela área para proteger a população”.

Entre as cidades representadas nessa formação estava Rodeio, uma cidade onde grande parte da população reside em áreas próximas a mata. Porém, a procura da vacinação pela população não está grande, como comentou a enfermeira Cláudia Zanghelini Sevegnani, que trabalha na vacinação do município. “Eu trabalho na vacinação em Rodeio e parece que o pessoal não está muito preocupado com essa imunização. As pessoas que tem direito a vacina não procuram os postos, ao mesmo tempo que pessoas que não tem o perfil, como idosos acima de 60 anos, querem a vacina mas tem que passar por avaliação médica e, na maioria dos casos, não consegue a liberação”.

Essa capacitação está sendo aplicada em diferentes partes do estado para abranger o maior número de pessoas possíveis e, segundo Renata, o evento desta quarta-feira foi o maior em público até agora. “Essa capacitação em Timbó surpreendeu pela participação. Ficamos felizes com isso, porque todos que estiveram aqui são multiplicadores dessas informações, vão poder deixar as equipes das cidades e os próprios moradores que tiverem dúvidas melhor informados”.

Febre Amarela no Brasil e em Santa Catarina

Não é novidade que a Febre Amarela voltou a preocupar os brasileiros desde o ano passado, quando casos da doença começaram a ser registrados na região sudeste, especialmente no Vale do Ribeira (São Paulo). Desde então, por conta do grande corredor ecológico que existe dessa região para o sul do Brasil, se iniciou um monitoramento das áreas de matas nos estados de Paraná e Santa Catarina.

O nosso estado vizinho já tem confirmação três mortes de primatas não-humanos (Macacos) pela febre amarela, sendo dois na cidade de Antonina e um em Morretes, além de oito casos em humanos com 1 óbito. Em Santa Catarina, desde o período desse monitoramento (julho de 2018 até agora), 113 mortes de primatas não-humanos foram registradas, sendo que 20 tiveram a causa da morte indeterminada, 74 foram descartados e 19 permanecem em análise, segundo dados da DIVE.

Na manhã de quinta-feira (28), através de nota em seu site oficial, a DIVE confirmou o primeiro óbito por febre amarela em Santa Catarina. O teste positivo foi emitido pelo Instituto Carlos Chagas (ICC) – Fiocruz do Paraná, para a morte de uma pessoa de 36 anos no dia 12 de março, residente em Joinville.

Como ajudar

A capacitação também teve foco em ensinar como a população pode ajudar na detecção de mortes de macacos em nossas matas. “Nós estamos pedindo auxílio para a população das áreas de mata ou pessoas que praticam alguma atividade de turismo, trilha, acampamento, para que se avistarem algum macaco morto, faça um contato com a vigilância epidemiológica do município em até 24 horas, para que nossa equipe possa ir até o local e fazer a coletar para análise” – explicou Renata.

Além do contato com as vigilâncias epidemiológicas dos municípios, outra forma de informar a morte de macacos é através do aplicativo SISS – Geo (Sistema de Informação em Saúde Silvestre), um aplicativo que você pode instalar em seu celular. Ele é um app leve (5 MB) desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), onde você pode informar o óbito de qualquer animal cadastrando uma foto e colocando a localização geográfica. Todos esses dados integram o Centro de Informação em Saúde Silvestre (CISS). A partir dessa informação, são acionados os órgãos competentes dos estados para investigar essas mortes.

 

Fonte: Comunicação CIMVI

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