Aumento no número de rejeitos no lixo reciclável faz despencar a produção de catadores em Blumenau

Samae diz que população precisa se adaptar à ampliação da coleta e promete melhorar comunicação com a comunidade

O aumento no número de rejeitos que vêm com a coleta seletiva resulta na diminuição da produtividade dos catadores em Blumenau.

Um levantamento feito pela Associação dos Trabalhadores Coletores de Resíduos Sólidos Recicláveis da cidade (Reciblu) revela que no início de novembro a eficiência da produção caiu de 75% para 40%.

Em vez de papelão e garrafas PET, a triagem da cooperativa chegou a recolher até mesmo carne e cadáveres de animais, como gatos e cachorros. Tudo em sacolas onde deveriam estar, na verdade, produtos com condições de serem reutilizados.

A estimativa é de que 30 toneladas de rejeitos estejam armazenados onde deveria haver apenas lixo reciclável.

Para João Dutra, coordenador da Reciblu, a situação prejudica o ganho das famílias que dependem da coleta seletiva para sobreviver:

– A gente perde muito tempo porque vai muita coisa para o rejeito. Dá mais serviço e mais transtorno, afinal de contas, quanto mais produzirmos, mais ganhamos. Tudo que entra da venda do reciclável vai para as 56 pessoas que participam da cooperativa, e a partilha é igual para todo mundo.

Hoje, o salário médio dos coletores que atuam em Blumenau gira em torno de R$ 800, ou seja, R$ 154 menos do que o salário mínimo estabelecido pelo governo federal.

De acordo com Cleverton Batista, diretor-presidente do Samae, o problema ocorre por conta da ampliação da área de coleta seletiva de Blumenau, uma das exigências contratuais da Racli Limpeza Urbana, nova empresa que presta o serviço.

Como o caminhão tem passado por ruas onde não transitava antes, houve certa confusão por parte dos moradores.

A autarquia faz o mea culpa e diz que pode ter havido algum problema de comunicação, principalmente com a população que passou a ser atendida recentemente – há a estimativa de que hoje 80% do município tenha coleta de lixo reciclável, índice que era de 50% até meados de setembro.

– Estamos ampliando a nossa área de atuação da coleta. Como está em fase de implantação, a própria comunidade está se adaptando. Vamos fazer ações para informar melhor a população que não estava acostumada com esse processo, já que antes não era atendida – diz o diretor-presidente do Samae.

A Reciblu admite que o início desta semana já apresentou melhoras, principalmente após conversas com o Samae. Mas, para evitar novos problemas que possam comprometer a produtividade dos catadores, a autarquia pretende reforçar a orientação à população em dois pontos.

Primeiro, quanto àquilo que pode e não pode ser reciclado (confira na tabela). Segundo, quanto aos dias em que o caminhão da coleta seletiva passa.

Na avaliação de Cleverton Batista, isso poderia amenizar futuros empecilhos. Além disso, responsáveis pela triagem da cooperativa já começaram uma panfletagem em alguns pontos de Blumenau com orientações que facilitam o entendimento da população.

Tudo para garantir um triângulo sustentável: com a cidade mais limpa, respeito ao meio ambiente e garantia de emprego e renda para os moradores.

Padronização de sacolas recicláveis está em estudo

Na vizinha Indaial, a coleta seletiva é feita com sacolas plásticas padronizadas e que possuem orientações sobre o que pode e o que não pode ser reciclado.

Implantar algo assim em Blumenau, agora que a área de atuação está ampliada, é algo que passa por um estudo por parte do Samae, de acordo com Cleverton Batista.

Para a Reciblu, esse método facilitaria o trabalho dos coletores e também melhoraria a produção dos que fazem a triagem e venda do material. A autarquia, porém, explica que isso geraria uma despesa que precisa ser avaliada pelo poder público.

Confira a lista do que pode ser encaminhado para a coleta seletiva

Fonte: NSC | Fotos: Augusto Ittner

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