Ameaças à escolas de Gaspar e Ilhota não passaram de trotes, diz Delegado

As ameaças de atentados contra escolas de Gaspar e Ilhota não passaram de uma brincadeira inconsequente de adolescentes. A confirmação é do delegado da Comarca de Gaspar, Bruno Effori, que comandou as investigações. Três adolescentes – um de Gaspar, um de Ilhota e um terceiro de Minas Gerais – foram identificados como autores dos trotes. “A conclusão é que foi uma brincadeira de mau gosto de alguns adolescentes aqui da cidade, inicialmente identificamos os autores com a ajuda dos diretores das escolas e num trabalho em conjunto com a Polícia Militar. Eles foram conduzidos até a delegacia, acompanhados dos pais, e ouvidos sobre os fatos”, contou Effori.

Segundo ele, os dois jovens apresentaram praticamente as mesmas versões, embora sejam alunos de escolas diferentes. O estudante de Ilhota relatou em seu depoimento que conheceu o jovem de Minas Gerais em uma rede de games pela internet. A partir daí, eles tiveram a ideia de “trollar”, como se fala na gíria, os estudantes da José Elias Oliveira, escola localizada no bairro Minas, no interior de Ilhota, e onde ele é também aluno. Para isso, o jovem ilhotense adicionou o mineiro ao grupo de whatsapp “Formandos”, da Escola José Elias Oliveira. A partir daí, começaram as “ameaças” contra os alunos integrantes do grupo, inclusive fazendo menção ao uso de armas de fogo, a forma como iriam executar os alunos e referência ao ataque a uma escola na cidade de Suzano, em São Paulo, no começo deste mês.

Já as ameaças feitas pelo estudante de Gaspar, o delegado diz não ter relação com o caso de Ilhota, porém, ele teria sido estimulado pelo acontecido em São Paulo para fazer ameaças aos alunos da escola de Gaspar. Em seu depoimento, o jovem confirmou que pegou fotos na internet para se passar por terrorista que queria atacar a escola. “No primeiro caso, a motivação foi uma brincadeira de mau gosto, já no outro a intenção do aluno era cancelar as aulas naquele dia. Felizmente tratou-se de uma brincadeira e o procedimento policial está concluído, mesmo assim eles vão responder por ato infracional equivalente ao crime de ameaça”, afirmou Effori. O delegado também contou que a polícia esteve na casa dos adolescentes, com a permissão dos pais, para vasculhar em busca de armas, objetos e até as vestimentas utilizadas nas fotografias que pudessem ligá-los a este tipo de crime. “Nada foi foi encontrado até porque essas imagens estão na internet, eles apenas a replicaram nos grupos de whatsapp”, observou o delegado. Sobre o jovem de Minas Gerais, Effori explicou que ele deve ser intimado a prestar esclarecimentos às autoridades policiais do seu estado.

Entenda os fatos

As ameaças contra escolas e alunos de Gaspar e Ilhota foram publicados em um grupo de Whatsapp no último dia 19, mas ganharam força na sexta-feira, dia 23, quando alunos da Escola José Elias Oliveira, no bairro Minas, município vizinho, relataram o fato à diretora da escola. Nas mensagens postadas no grupo, os autores das ameaças questionaram os estudantes se eles preferiam morrer com tiro, serem explodidos ou queimados. Rapidamente, as mensagens se espalharam pelos grupos de conversa e redes sociais.

Os pais reagiram e passaram a cobrar da Prefeitura de Ilhota providências administrativas para garantir a segurança dos estudantes no retorno às aulas na segunda-feira. A prefeitura, então, decidiu suspender as aulas somente na José Elias Oliveira, escola que estaria sendo alvo das ameaças. O prefeito Érico Oliveira, o Dida, foi pessoalmente à instituição de ensino conversar com os pais e responsáveis a fim de tranquilizá-los. A Polícia Militar também esteve na escola e a segurança foi reforçada na porta de outras unidades de ensino do município. A Polícia Civil também foi acionada para investigar, depois que a Secretaria de Educação do município registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) ainda na sexta-feira. Nesta terça-feira, as aulas foram retomadas normalmente na José Elias Oliveira.

Em sua rede social, o prefeito Dida também prometeu fazer um levantamento nas escolas de Ilhota na tentativa de identificar crianças com potencial para cometer este tipo de ato. “Começaremos na segunda-feira uma blitz nas escolas do nosso município para tentar identificar crianças em potencial a tal ato, para junto à Secretaria de Assistência Social, junto ao Conselho Tutelar, psicólogas e assistentes sociais e todo o aparto que dispõe nosso município para monitorar crianças que se encontram isoladas das demais e que sofrem bullying, para então dar suporte às famílias que é a única coisa que podemos fazer”, escreveu o chefe do executivo ilhotense. Ameaças também atingiram uma grande escola de Gaspar, porém, a diretoria afirmou ter passado todas as informações para a polícia na sexta-feira depois que alunos fizeram a denúncia.

Foto: Ivan Jim

 

Fonte: Jornal Metas | Foto: Divulgação

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